Choque tarifário do Bitcoin: isto é uma correção ou uma mudança de tendência?

January 21, 2026
Stylised illustration of a glowing Bitcoin symbol embedded in a cube-shaped circuit board, resting on a metallic platform.

O choque tarifário do Bitcoin intensificou-se, tornando ainda mais premente a questão central deste movimento. O que começou como um abalo geopolítico transformou-se agora numa liquidação total de alavancagem. Na quarta-feira, o Bitcoin caiu 4% para cerca de $88.000, ampliando as perdas à medida que a aversão ao risco se espalhou pelos mercados de ações, obrigações e moedas. Em apenas 24 horas, as liquidações totais de cripto ultrapassaram $1,07 mil milhões, sublinhando a rapidez com que o sentimento mudou.

Esta última queda ocorre numa altura em que os investidores estão a afastar-se cada vez mais da exposição ao risco dos EUA. O ouro disparou para novos máximos históricos, o dólar enfraqueceu e Wall Street sofreu a sua maior queda em meses. Neste contexto, o Bitcoin já não reage apenas às tarifas – está a ser testado como parte de uma reconfiguração macroeconómica mais ampla.

O que está a impulsionar os movimentos do Bitcoin?

O gatilho imediato continua a ser a ameaça crescente de tarifas do Presidente Donald Trump contra oito países europeus, ligada à sua insistência de que os EUA devem obter controlo da Gronelândia. Trump reforçou a sua posição esta semana, declarando que “não há volta atrás” na estratégia, reacendendo receios de uma guerra comercial alargada. Os mercados, já frágeis, responderam reduzindo a exposição a ativos de risco.

No universo cripto, a alavancagem revelou-se o ponto fraco. Dados da CoinGlass mostram que $359,27 milhões em Bitcoin foram liquidados nas últimas 24 horas. As posições long absorveram quase todos os danos, com $324,74 milhões eliminados, em comparação com apenas $34,53 milhões em shorts. 

Dashboard titled ‘BTC Total Liquidations’ showing Bitcoin liquidation data across multiple timeframes.
Fonte: Coinglass

Porque é que isto importa

A queda do Bitcoin para $88.000 reforça uma realidade crítica para os traders: em períodos de stress macroeconómico, as criptomoedas continuam fortemente ligadas ao sentimento de risco global. Com as ações dos EUA a caírem acentuadamente e o dólar a enfraquecer, o Bitcoin acompanhou o mesmo impulso de “risk-off” em vez de se dissociar. Isto desafia a narrativa de proteção no curto prazo, mesmo que as correlações de longo prazo continuem em debate.

O contexto mais amplo é relevante. Wall Street sofreu o maior impacto da semana, com o S&P 500 a cair 2,06% e o Nasdaq a recuar 2,4%, antes de os futuros estabilizarem ligeiramente. Quando ações, crédito e moedas são pressionados simultaneamente, os ativos alavancados tendem a sofrer primeiro – e o Bitcoin voltou a ser tratado como parte desse grupo de alto beta.

Impacto nos mercados cripto e nos traders

A venda mais acentuada apagou a confiança construída no início de janeiro, quando as entradas em ETF ajudaram a impulsionar o Bitcoin para perto dos $98.000. Em vez disso, o foco passou para a preservação de capital. O Ether caiu juntamente com o Bitcoin, enquanto as altcoins registaram volumes de liquidação comparativamente menores, refletindo o posicionamento cada vez mais concentrado nos maiores tokens.

Ao mesmo tempo, a desalavancagem forçada pode estar a ter um efeito positivo a longo prazo. Analistas da CryptoQuant já notaram que liquidações agressivas costumam eliminar posições frágeis, reduzindo o risco de vendas em cascata no futuro. Se a pressão macro estabilizar, um mercado menos alavancado poderá oferecer uma base mais sólida – embora a volatilidade a curto prazo continue elevada.

Ouro dispara à medida que cresce a aposta “Vender América”

Enquanto as criptomoedas enfrentavam dificuldades, os refúgios tradicionais dispararam. O ouro à vista ultrapassou os $4.800 por onça pela primeira vez, com a prata também a atingir máximos históricos, à medida que os investidores procuravam segurança. Alguns estrategas enquadram este movimento como uma crescente aposta “Vender América”, marcada pela queda das ações, enfraquecimento do dólar e subida dos metais preciosos.

As tensões comerciais estão no centro desta narrativa. Os decisores políticos europeus preparam a sua resposta, com a UE a agendar uma cimeira de emergência em Bruxelas e a ponderar tarifas retaliatórias no valor de €93 mil milhões ($109 mil milhões) sobre importações dos EUA. A perspetiva de uma escalada de retaliações acrescenta mais uma camada de incerteza para os ativos de risco, incluindo o Bitcoin.

Perspetiva dos especialistas

De uma perspetiva técnica, o Bitcoin está sob pressão mas ainda não quebrou. O suporte anterior perto dos $90.000 está agora a ser testado, e uma fraqueza sustentada abaixo desse nível reforçaria o cenário de uma correção mais profunda. No entanto, alguns analistas alertam para não se assumir uma mudança de tendência demasiado cedo.

Robin Singh, CEO da plataforma de impostos cripto Koinly, observa que fevereiro tem sido historicamente um dos meses mais fortes para o Bitcoin, registando ganhos médios de dois dígitos na última década. “Mas um desempenho inferior não seria surpreendente, e não é necessariamente mau”, afirmou, sugerindo que uma consolidação pode redefinir as expectativas em vez de descarrilar o ciclo mais amplo.

Principais conclusões

O choque tarifário do Bitcoin intensificou-se, arrastando o preço para $88.000 à medida que a alavancagem é reduzida e o stress macroeconómico se espalha. Para já, o movimento parece ser impulsionado mais pela geopolítica e aversão global ao risco do que por fraqueza específica das criptomoedas. Com o ouro a disparar e as tensões comerciais a aumentar, o Bitcoin está apanhado nas correntes cruzadas de uma reconfiguração mais ampla do mercado. Se isto se revelará uma mudança de tendência mais profunda ou apenas uma correção dolorosa dependerá da rapidez com que a incerteza macro começar a diminuir.

Perspetiva técnica do Bitcoin

O Bitcoin está a consolidar após a forte correção dos máximos recentes, com o preço a manter-se dentro de um intervalo definido e acima da zona dos $84.700. As Bandas de Bollinger estreitaram após um período anterior de expansão, indicando uma contração da volatilidade à medida que o momentum direcional abrandou. 

Os indicadores de momentum refletem esta fase de estabilização: o RSI está a subir gradualmente mas permanece abaixo da linha média, sinalizando uma recuperação do momentum que ainda não regressou à força anterior. Estruturalmente, o mercado mantém-se limitado abaixo das antigas zonas de resistência em torno dos $104.000 e $114.000, com o comportamento atual do preço a sugerir equilíbrio e consolidação em vez de descoberta ativa de preços.

Daily candlestick chart of Bitcoin versus the US dollar with Bollinger Bands, showing price consolidating around $89,000 after a sharp decline from above $110,000
Fonte: Deriv MT5

A informação contida no Blog da Deriv destina-se apenas a fins educativos e não constitui aconselhamento financeiro ou de investimento. A informação pode ficar desatualizada e alguns produtos ou plataformas mencionados podem já não estar disponíveis. Recomendamos que faça a sua própria pesquisa antes de tomar qualquer decisão de trading.

Perguntas frequentes

Porque é que o Bitcoin caiu para $88.000?
Quão severas foram as liquidações?
Porque é que o ouro e a prata estão a subir enquanto o Bitcoin cai?
Isto significa que a tendência de alta do Bitcoin acabou?
Que nível os traders devem observar a seguir?
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